Hoje meus ouvidos foram invadidos por Anitta cantando na "boquinha da garrafa" e Michel Teló imitando a "dança do vampiro". Ufa! Acordei! Era um sonho, ou melhor, um pesadelo incomensurável.
Para desintoxicar fui ao meu esconderijo e ouvi algo diferente: Villa-Lobos e suas Brachianas. Enternecido fiquei com a melodia e a poesia de Ruth Valadares:
"Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d'alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!"
Meus olhos foram invadidos pelo mais doce frescor da primavera. Um transbordar de flores e matizes enebriantes, desabrochando em um cascata de cores, ritmadas pelo brilho matinal do sol. O céu azul distinguia uma revoada de pássaros que cantarolavam uma canção que homenageava a vida com música de verdade:














