sábado, 25 de janeiro de 2014

Os rumos do Jogo




O paredão de sábado envolve o trio parada dura Diego, Fran e Bella.

Dentre os participantes do "reality" são os mais parecidos em termos de personalidade. Dotados de uma grosseria inata eles ditam o rumo do programa e estão protagonizando o paredão mais precoce da história dos BBBs.

A precocidade é fruto de um ritmo alucinante dessa edição que quebrou os paradigmas e revoltou muitos BBBmaníacos. Em "lato sensu" os comentaristas têm razão em reclamar da fórmula adotada porque impede que o público conheça os candidatos e as nuances de seu comportamento nessa reta inicial. Todavia, em "stricto sensu" não permite aos confinados criarem personagens dentro da casa para fugir de votação. A surpresa no sufrágio garante votos insensatos e a abertura de "chagas" no relacionamento dos participantes.

Ainda temos menos de 2 semanas de programa e grande parte dos fãs de BBB, apesar de negarem, já têm em conta seus preferidos e seu odiados. O mais interessante é que até por nome já conhecem os 20 candidatos (já esqueceram do Alisson, da Princy e do Portuga?). A impressão que se tem é que estamos no mínimo com um mês do programa e os ânimos já se ouriçaram. E para uma segunda semana teremos um paredão recorde.

Recorde também foram o número de votos direcionados a uma só pessoa. A azarada Fran, primeiro, recebeu a maior cota de cigarros no início do programa e precisou intervir para que a esquadrilha da fumaça não acabassem com seus cigarros antes das próximas compras, ledo engano. Em seguida conquistou o poder do não, por sorteio, eliminando Roni Bombril, Tatiele Poliéster e Amanda Red Bull da prova do líder, ou seja, angariou mais 3 votos certos. Além disso, foi se envolver com Diego; apesar de ser apenas a última da sua lista de "pegáveis", que na ordem era composta por Letícia Viagra, Tatiele Poliéster e ela. Muito azar que nenhuma das outras duas caíram na lábia do surfista. Mas o tiro de misericórdia aconteceu na prova do líder quando Diego mandou a Dona Bella tomar onde as patas tomam (eufemismo poético). Revoltada a Dona Bella já saiu conversando com a Clara Pluft que eles eram iguais, que se mereciam. Não sei porque se revoltou Dona Bella já que acha ótimo a "patada" e acredita que todo mundo deveria experimentar .

Dona Bella como radiadora*, que é, espalhou para os "quatro cantos" sua desavença com Diego e a falta de educação da namorada dele manipulando desta forma a opinião de todos. Vagner Ace, ensaboado que só, falou para Diego que iria votar nele, haja vista que a maioria do pessoal já votaria nele (ele votaria de qualquer jeito) o que despertou nos presentes essa estratégia ridícula. Fran no paredão é o resultado de suas escolhas erradas, falta de sorte e de uma rispidez no relacionamento.

A questão de ser ríspida não é exclusividade da azarada Fran. Dona Bella, a perfeita, é de uma arrogância impressionante. A bailarina diz que estuda o machismo a partir do simbolismo dos protótipos (por favor quem souber o que isso significa manda o email para fazermos um post). Sua pesquisa também se não é deveria ser multidisciplinar com participação de proctologistas, visto que tem uma fixação pela porção final do reto do "macharal". Costumeiramente suas verdades absolutas precisam ser enfiadas "goela" abaixo de seus interlocutores e ponto final.

Ponto é o que não falta na trajetória de Diego na casa. O surfista encarna a personagem machista, tosco e grosseirão. Na primeira festa foi o ponto de interseção entre as mulheres da casa como o homem que todas pegariam. Atração justificada pelo ponto de vista de Aline que o viu nu, em pelo, disse que ele era bem dotado para as artes masculinas. Em outro ponto do programa foi ao paredão por essa mesma nudez (falso moralismo?). Foi protagonista de várias confusões porque estava a ponto de morrer por falta de cigarro. Vício este que se mostrou falso quando permaneceu horas e horas em pé em um ponto sem precisar fumar. Só quando estava a ponto de urinar desistiu de continuar. Durante essa prova subiu o tom de sua grosseria e ganhou pontos na votação do paredão porque a casa ficou chocada com o VTC que ele falou. Se tivesse falado VSF o pessoal nem teria se incomodado a esse ponto. Mas o esfíncter em questão é o ponto nevrálgico de Dona Bella e por "osmose" da casa toda. Mas esse não é o ponto, na verdade Diego Luck Strike é a alma gêmea da Donna Bella.

A eliminação está nas mãos do Boninho, qualquer um que sair trará significativas consequências para o jogo e podem desequilibrar a balança das chances para um vencedor. Caso Diego volte para casa a vitória do programa cai nas mãos de Clara e Vanessa (que já se conheciam fora da casa: fato que Vanessa deixou "escapulir" em conversa e depois tentou corrigir) que provavelmente possuem uma estrutura de votação bem montada aqui fora (teoria da conspiração). Se Bella sair o jogo vira e todos os participantes irão paparicar Diego e Fran em busca da terceira posição ou os colocarão na berlinda para eliminar um dos dois. O mais provável é que o marasmo invada a caso se isto acontecer.

A terceira opção, a saída da Franciele Talula Joseane Maria Graziele de Orleans e Bragança Bourbon, é a mais injusta porém para a dinâmica do jogo pode ser a mais interessante, vejamos:
  1. Diego fica livre para a investida da Letícia (que nessa altura do campeonato já terá percebido que ele é um dos favoritos;
  2. Marcelo, com o orgulho ferido, poderá se revoltar contra Letícia e Diego e partir para o jogo (e este pode render) ou se enterrar de vez;
  3. Manterá o embate feminismo X machismo dos sonhos de Bella;
  4. Diego voltará com sede de vingança e se achando (se tendo certeza) "mode on" o que pode levá-lo ao estrelato ou ao fundo do poço;
  5. O foco em Diego será direcionado para as plantas de plantão;
  6. As plantas perceberão que só tem chance quem faz, mesmo que seja besteira.
* Radiadora é um sistema de som antigo, típico das cidades de nordestinas, que você escutava mesmo que não quisesse.
Como você prefere o final dessa história? Você Decide!


Ou o Boninho!


O Mistério das Cousas 
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)

Há Metafísica bastante em não pensar em nada. 
O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso. 
Que ideia tenho eu das cousas? 
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos? 
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma 
E sobre a criação do Mundo? 
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos 
E não pensar. É correr as cortinas 
Da minha janela (mas ela não tem cortinas). 
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério! 
O único mistério é haver quem pense no mistério. 
Quem está ao sol e fecha os olhos, 
Começa a não saber o que é o sol 
E a pensar muitas cousas cheias de calor. 
Mas abre os olhos e vê o sol, 
E já não pode pensar em nada, 
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos 
De todos os filósofos e de todos os poetas. 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa. 
Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores? 
A de serem verdes e copadas e de terem ramos 
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar, 
A nós, que não sabemos dar por elas. 
Mas que melhor metafísica que a delas, 
Que é a de não saber para que vivem 
Nem saber o que não sabem? 
"Constituição íntima das cousas"... 
"Sentido íntimo do Universo" ... 
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada. 
É incrível que se possa pensar em cousas dessas, 
É como pensar em razões e fins 
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores 
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão. 
Pensar no sentido íntimo das cousas 
É acrescentado, como pensar na saúde 
Ou levar um copo à água das fontes. 
O único sentido íntimo das cousas 
É elas não terem sentido íntimo nenhum. 
Não acredito em Deus porque nunca o vi. 
Se ele quisesse que eu acreditasse nele, 
Sem dúvida que viria falar comigo 
E entraria pela minha porta dentro 
Dizendo-me, Aqui estou! 
(Isto é talvez ridículo aos ouvidos 
De que, por não saber o que é olhar para as cousas, 
Não compreende quem fala delas 
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.) 
Mas se Deus é as flores e as árvores 
E os montes e sol e o luar, 
Então acredito nele, 
Então acredito nele a toda a hora, 
E a minha vida é toda uma oração e uma missa, 
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos. 
Mas se Deus é as árvores e as flores 
E os montes e o luar e o sol, 
Para que lhe chamo eu Deus? 
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar; 
Porque, se ele se fez, para eu o ver, 
Sol e luar e flores e árvores e montes, 
Se ele me aparece como sendo árvores e montes 
E luar e sol e flores, 
É que ele quer que eu o conheça 
Como árvores e montes e flores e luar e sol. 
E por isso eu obedeço-lhe, 
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?), 
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente, 
Como quem abre os olhos e vê, 
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes, 
E amo-o sem pensar nele, 
E penso-o vendo e ouvindo, 
E ando com ele a toda a hora.

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